Participantes

Laura Belém

Brasil

(1974, Belo Horizonte, Brasil)

Em seu trabalho, Laura Belém recontextualiza objetos do cotidiano, mudando completamente seu sentido, renovando sua situação e, mais ainda, a percepção que o visitante tem deles. Desse modo, numa obra como Enamorados, apresentada na 51a Bienal de Veneza, dois barcos pequenos parecem estabelecer um bate-papo. O recurso é simples: Belém instalou as embarcações frente a frente e dispôs um foco de luz em cada uma de suas proas. Lâmpadas que ligavam e desligavam, ora coincidindo, ora discordando, o que estabelece a sensação de diálogo e, consequentemente, leva a uma personificação dos barcos.

Na obra 1,9,7,1, a artista trabalha com os mesmos objetos que oferece o espaço da obra: o Museu da Estrada de Ferro Sorocabana. Desta vez, Belém propõe uma instalação com relógios guardados, arquivados e, sobretudo, atrofiados, que ficaram no museu quando a estação foi desmontada, no ano de 1971. Vários dos relógios ocupam paredes das salas do museu, sem se movimentar, enquanto um deles, consertado para a obra, marca seu roteiro produzindo um som de tique-taque. Barulho contínuo e rítmico que é capturado por um microfone, levado e ampliado em outras estâncias do museu, inundando com o correr do tempo um espaço detido. 

 

In her work, Laura Belém recontextualizes objects from daily life, completely changing their meaning, renovating their situation and, moreover, the viewer’s perception of them. Thus, in a work like Enamorados [In Love], presented at the 51st Bienal de Veneza, two small boats seem to chatting with each other. The resource used is a simple one: Belém installed the boats front to front, and placed a spotlight on each of their bows. These lights turn on and off, sometimes coinciding, sometimes disagreeing with each other, thereby establishing the sensation of dialogue and, consequently, resulting in the personification of the boats.

In the installation 1,9,7,1, the artist works with objects offered by the space the work is installed in: the Sorocabana Railway Museum. This time, Belém proposes an installation with kept, archived and, above all, atrophied clocks that remained in the museum when the station was dismantled, in 1971. Various of the clocks hang on the walls of the museum’s rooms, motionless, while one of them, repaired for this work, marks time with the sound of tick-tock. A continuous and rhythmic noise that is captured by a microphone, transmitted and amplified in other settings in the museum, flooding a detained space with the flow of time.

 

Obras do artista