Participantes

Luísa Nóbrega

Brasil

(1984, São Paulo, Brasil)

Vai dormir, Margarete é resultado de uma residência de Luísa Nóbrega na Casa do Sol, onde morava a escritora Hilda Hilst. A artista repetiu os experimentos que Hilst realizou na década de 1970 sobre o Electronic Voice Phenomena — escuta de vozes misteriosas a partir de gravações de frequências de rádio. A escritora não possuía ligação com religiões ou dogmas; tratava sua pesquisa como uma questão acerca da inexistência da morte e da comunicação com o outro. Durante a residência, Nóbrega utilizou sua voz apenas para se comunicar com as vozes no rádio — um diálogo que, dentro deste trabalho, dá-se indiretamente entre a artista, a escritora e o desconhecido. Se entendermos como fantasma o que se separa de seu corpo físico e viaja distâncias inimagináveis, veríamos que a tecnologia está impregnada dessa onipresença impalpável — é o próprio absurdo que deixou de nos espantar. Nóbrega e Hilst mergulham nesse absurdo, uma procura pelo inquietante presente no ato de ouvir atenciosa e obstinadamente o que nos atravessa o tempo inteiro — os sons, os fantasmas, o outro.

 

Vai dormir, Margarete  [Go to Bed, Margarete] is a result of a residency of Luísa Nóbrega at Casa do Sol, where the writer Hilda Hilst once lived. The artist repeated the experiments that Hilst carried out in the 1970s in regard to Electronic Voice Phenomena — the hearing of mysterious voices based on recordings of radio frequencies. The writer had no connection with religions or dogmas; she approached her research as a question concerning the nonexistence of death and communication with the other. During her residency, Nóbrega used her voice only to communicate with the voices on the radio – a dialogue which, within this work, takes place directly between the artist, the writer and the unknown. If we consider as a ghost that which separates from its physical body and travels unimaginable distances, we will see that technology is impregnated by this intangible omnipresence – it is an absurdity that has ceased to surprise us. Nóbrega and Hilst delve into this absurdity, conducting a disquieting search, listening attentively and persistently to what is passing through us at every moment – the sounds, the ghosts, and the Other.