Participantes

Vasco Araújo

Portugal

(1975, Lisboa, Portugal)

Indivíduos vagantes carregam discursos inquisitivos, que são produzidos pelo artista Vasco Araújo a partir de Devaneios de um Caminhante Solitário, de Jean-Jacques Rousseau. Encenado com uma forte carga espectral, o filme produz encontros inusitados com figuras que buscam encontrar-se com o desconhecido e com o inexistente, algo que os separe de uma solidão ontológica. Trata-se de uma conversa na qual alguns dos interesses estão em imaginar a identidade do homem perfeito. Com interrogações em relação às causas que geram a liberdade e a ação autônoma, Telos (2011)destaca a procura, a perda de sentido, a espera e as convenções da linguagem como um modo de lidar com as imprecisões da vida, por conta da finitude localizada em tudo o que pulsa. Algo semelhante aparece em outra obra que o artista apresenta em Frestas – Trienal de Artes. De fato, em A queda com (2014), ele toma como ponto de partida o diálogo entre duas figuras míticas extraídas dos Diálogos de Leucó, de Cesare Pavese. Regidos pelo ritmo de colunas de luz que anunciam a presença mítica de ambos, Europa e Trovão travam um diálogo em meio a cadeiras conectadas em pares e espalhadas pela sala. A ausência de medo, o desconhecimento sobre a sua presença camuflada, o destino como aquele que anuncia a perda da identidade histórica, o poder e o inimigo são considerações presentes na conversa interrompida por trovões aterrorizantes. Eles deixam claro que o medo em questão, conforme prenuncia o Trovão, surge “enquanto o homem não sabe, não vive de acordo com o que deve viver [...]”.

 

Wandering people bear inquisitive discourses, which are produced by Vasco Araújo based on Reveries of a Solitary Walker, by Jean-Jacques Rousseau. Staged with a strong spectral charge, the film produces unusual encounters with figures that seek to come together with the unknown and the inexistent, something that separates them from an ontological loneliness. It involves a conversation in which some of the interests lie in imagining the identity of the perfect man. With questions in relation to the causes that generate freedom and autonomous action, Telos (2011) underscores the search, the loss of meaning, hope and the conventions of language as a means of coping with the imprecisions of life, on account of the finiteness located in everything that pulses. Something similar appears in another work that the artist is presenting at Frestas – Trienal de Artes. In fact, in A queda com [The Fall With] (2014), his starting point is the dialogue between two mythic figures extracted from Dialogues with Leuco, by Cesare Pavese. Ruled by the rhythm of columns of light that announces their mythic presence, Europa and Zeus partake in a dialogue amidst chairs connected in pairs and scattered through the room. The absence of fear, the unawareness of its camouflaged presence, destiny as that which announces the loss of historic identity, power and the enemy are considerations that are present in the conversation interrupted by terrifying peals of thunder. They make it certain that the fear in question, as predicted by Zeus, arises “while man does not know, does not live in accordance with how he should live […]”.

 

Josué Mattos

Obras do artista