Participantes

Adrian Melis

Cuba

(1985, Havana, Cuba / Amsterdam, Holanda)

A ideia de projeto parece central no trabalho de Adrian Melis. O artista atua sobre possíveis desvios de determinados projetos (políticos ou funcionais) que, por vezes, resultam em especulações sobre um fracasso iminente e são resultado de uma equação cujo coeficiente do imprevisível se sobrepõe aos demais, apontando para falhas dentro do próprio sistema que o projetou. Em 378.890sqm planned, a diferença entre a prospecção e a produção de quatro companhias cubanas existe apenas enquanto projeto — o inexistente se materializa como um plano fracassado. Em Plan de producción de sueños de empresas estatales en Cuba, o sono dos trabalhadores aparece como uma resistência natural à atividade maquínica exigida pelo trabalho e seus sonhos, um produto da subjetividade pessoal. Durante eles, projetamos para além de intenções de realização — o sonho, como o trabalho de arte, é meio e fim em si mesmo. Em Puntos de reposición, a dimensão política do projeto fica evidente: as frases de protesto apagadas das paredes têm sua voz perpetuada nas legendas. Melis aponta para o que existe no descompasso entre o que é e o que deveria ser — incalculável, organiza-se em outros sistemas possíveis.

 The idea of the project seems to be central in the work of Adrian Melis. The artist operates on possible shifts of determined (political or functional) projects which, sometimes, result in speculations on an imminent failure and are the result of an equation whose coefficient of the unforeseen is overlaid to the rest, pointing out the failures within the very system that projected it. In 378.890sqm planned, the difference between the prospection and the production of four Cuban companies exists only as a project – the nonexistent is materialized as a failed plan. In Plan de producción de sueños de empresas estatales en Cuba, the sleep of the workers appears as a natural resistance to the mechanistic activity demanded by the work, while their dreams are a product of personal subjectivity. During dreams, we project beyond any intention of actually realizing something – the dream, like the work of art, is both a means and an end in and of itself. In Replacement points, the project’s political dimension is clear: the protest phrases erased from the walls have their voice perpetuated in the captions. Melis points to what exists in the disorder between what is and what should be – incalculable, it is organized in other possible systems. 

Isabela Rjeille

Obras do artista