Participantes

Amilcar Packer

Chile

(1984, Santiago, Chile / São Paulo, Brasil)

Sorocaba, assim como muitas outras cidades brasileiras, deriva seu nome de fonemas indígenas. No caso específico, trata-se dos termos de origem tupi-guarani sorok e aba, que, substantivados em Sorocaba, significam “lugar da rasgadura”. Sorok’aba, proposta do artista Amilcar Packer, busca tensionar as implicações e consequências do choque de mundos ocorrido na implantação da colônia extrativista denominada Brasil, por meio do resgate da etimologia de palavras e histórias, assim como pela organização e pelo uso de objetos e plantas.
Diagramas, desenhos esquemáticos, produtos e verbetes povoam lousas, assim como um conjunto de plantas e árvores estarão espalhadas pelos espaços do Sesc Sorocaba, compondo esta obra que elabora criticamente a homogeneização das paisagens do planeta, a destruição de modos de vida e a imposição das culturas dos mercados globais. Os dispositivos operacionalizados no trabalho explicitam histórias que apontam tanto para a economia colonial quanto para a globalização das monoculturas intensivas extensivas, nas quais a origem e a utilização dos nomes de marcas, localizados nas embalagens de produtos industrializados, fazem-nos refletir sobre narrativas que se perdem na historiografia oficial. Com isso, percebemos a evidente continuidade das relações de dominação, sujeição e exploração que permeiam a história brasileira. 
A matriz das relações exploratórias e genocidas foi instalada e imposta pelos impérios coloniais aos nativos povos originários. Estas estruturas que se perpetuam dentro da sociedade foram revigoradas pelas ditaduras civil-militares e hoje se veem aceleradas pelo Neoliberalismo, desembocando nas atuais disputas entre poder latifundiário, indígenas e populações tradicionais. Sorok’aba propõe uma reconfiguração dessas questões e desses aspectos sobre a herança do período de colonização na configuração da cultura brasileira.

As is true of many Brazilian cities, Sorocaba’s name derives from indigenous morphemes. In this case, the Tupi-Guarani terms sorok and aba – which were combined to form the word Sorocaba – mean “place of tearing.” Sorok’aba, the proposal by artist Amilcar Packer, seeks to tension the implications and consequences of the collision of worlds that took place with the implantation of the extractivist colony called Brazil; it does this by referring to the etymology of words and histories, coupled with the organization and use of objects and plants.
Diagrams, schematic drawings, products and descriptive texts occupy blackboards, while a set of plants and trees will be scattered through the spaces of Sesc Sorocaba, composing this work that critically considers the homogenization of the planet’s landscapes, the disruption of ways of life, and the imposition of the cultures of the global markets. The devices operationalized in the work evince histories that point to both the colonial economy as well as to the globalization of extensive and intensive monocultures, where the origin and use of brand names, located on the packages of the industrialized products, make us reflect on narratives that are lost in the official historiography. With this, we perceive the evident continuity of the relations of domination, subjection and exploration that permeate Brazilian history.
The colonial empires imposed a matrix of exploitative and genocidic relations on the original native populations. These structures that are perpetuated within society were reinvigorated by the civil-military dictatorships and are accelerated today by neoliberalism, leading to the current disputes between the large landowners, the indigenous peoples and the traditional populations. Sorok’aba proposes a reconfiguration of these questions and aspects concerning the legacy of the colonization era in the configuration of Brazilian culture.


Jaime Laureano