Participantes

Ana Gallardo

Argentina

(1958, Rosário / Buenos Aires, Argentina)

Como habitar a certeza de que o futuro é a morte? Para começar a responder a essa pergunta, convém registrar que tudo o que acontece em nossos corpos depende, em maior ou menor medida, da constante passagem do tempo. Desejosa de perscrutar os hábitos e ofícios de pessoas idosas, Ana Gallardo se envolveu com diversos grupos de pessoas, tais como as mulheres da Ucens (União Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Sorocaba), oriundas de uma comunidade japonesa. Para Gallardo, há uma violência não contemplada pelo mundo, que é a da morte após a velhice. Para lidar com esse sentimento de esvaecimento, a artista busca, em pessoas mais velhas, ensinamentos que possam aliviar sua angústia e solidão.
A artista se propôs a conviver nesses círculos sociais, aprendendo os ofícios e participando ativamente dos hábitos dessas pessoas. Em Frestas - Trienal de Artes, ela apresenta um conjunto de vídeos e de ações decorrentes dessas vivências, que contemplam diversas questões, entre elas: como os idosos atuam na sociedade? As profissões que exerceram durante a juventude não foram as que desejaram? O que fazem agora? A velhice anacroniza o passado?
Para Gallardo, esta obra é um processo de algo inalcançável, pois suas práticas sociais não se encerram em um formato único, como o vídeo, a instalação ou a performance. São, antes de tudo, uma experiência em constante transformação. Há sempre algo que fracassa. Nas palavras da artista, “se estou trabalhando com um tema profundo, social, como fazer para transformar essa experiência em um objeto expositivo? É um destino fracassado.”

How to live with the certainty that the future is death? To begin to answer this question, it should be noted that everything that takes place in our bodies depends, to a greater or lesser degree, on the constant passage of time. Wishing to investigate the habits and occupations of the elderly, Ana Gallardo became involved with different groups of people, like the women of the Ucens (Japanese-Brazilian Cultural and Sporting Union of Sorocaba). For Gallardo, there is a sort of violence not considered by the world, which is death after old age. To cope with this feeling of fading away, the artist searches among elderly people for teachings that could alleviate their anxiety and loneliness.
The artist made a project of living within these social circles, learning their occupations and actively participating in the habits of these people. In Frestas – Trienal de Artes, she is presenting a set of videos and actions that arose from these experiences, which consider different questions, such as: How do the elderly function in society? Were the professions they worked in when they were younger the ones they wanted? What do they do now? Does old age anachronize the past?
For Gallardo, this work is a process of something unattainable, since her social practices are not limited to a single format, such as video, installation or performance. They are, above all, an experiment in constant transformation. There is always something that fails. In the artist’s words, “If I am working with a profound, social theme, how can I transform this experience into an object that can be shown in an exhibition? It is an aim fraught with failure.

Kamilla Nunes