Participantes

Bruno Kurru

Brasil

(1984, São Bernardo do Campo / São Paulo, Brasil)

Em Não diz o que somos, mas aquilo que estamos em vias de diferir; não estabelece nossa identidade, mas a dissipa em proveito do outro que somos, o artista Bruno Kurru evoca, por meio de pinturas, objetos, desenhos e textos, múltiplas possibilidades de reprocessar as coisas/ideias (existentes) no mundo. Moldes de pés que prescindem de pernas, imagens – de rostos e de paisagens – cortadas ou fora de foco, e palavras de ordem que, pintadas em tela ou em madeira, deslocam seu sentido panfletário são estratégias adotadas pelo artista para a construção de seu discurso. Porém, ao suplantar a excessiva carga ideológica, Kurru desloca a função social do discurso, invertendo os sujeitos – alvo e disparador – das ações políticas. Em seus trabalhos, as palavras e as imagens não apontam caminhos; ao contrário, questionam a todo o momento o lugar do sujeito, seja dentro de sua instalação ou no mundo.
O que seria do mundo sem as coisas que não existem? A interrogação que norteia uma das mostras de Frestas - Trienal de Artes nos coloca frente a questionamentos sobre as possibilidades de transformações – pessoais e coletivas – no atual cenário social e político.

In Não diz o que somos, mas aquilo que estamos em vias de diferir; não estabelece nossa identidade, mas a dissipa em proveito do outro que somos [Don’t say what we are, but rather that which we are on the way to postpone; do not establish our identity, but rather scatter it in favor of the other that we are] artist Bruno Kurru resorts to paintings, objects, drawings and texts to evoke multiple possibilities of reprocessing the (existing) things/ideas in the world. Molds of legless feet, cropped or out-of-focus pictures of faces and landscapes, as well as strident political messages whose meanings are displaced when painted on wood or canvas are strategies adopted by the artist for the construction of his discourse. By supplanting the excessive ideological charge, however, Kurru displaces the social function of the discourse, inverting the terms – target and shooter – of the political actions. In his works, the words and images do not point out paths; on the contrary, they continuously question the place of the subject, whether in the installation itself, or in the world.
What would become of the world without the things that do not exist? The question that provides the bearings for one of the shows of Frestas – Trienal de Artes places us before questionings concerning the possibilities of personal and collective transformations in the current social and political scene.


Jaime Laureano