Participantes

Carlos Motta

Colômbia

(1978, Bogotá, Colômbia / Nova Iorque, EUA)

Espalhada pelo globo, Carlos, fora de estatísticas e sem país, há uma população que prescinde de Estados-Nações, composta por mulheres e homens cujo gênero é o da humanidade. São pessoas de olhar reto que as mantém na horizontalidade na qual constroem relações sociais com a ética que soletra “eu” como d-i-f-e-r-e-n-t-e; gente que escreve capital ou deus com iniciais minúsculas e que relativiza termos com prefixo antropo, indivíduos de sexualidade livre cujo exercício leva à naturalidade do gozo, mas também à forca, à prisão, ao escárnio público ou à terceira classe. São seres humanos que, mesmo disseminados pelo planeta, cada um em seu contexto local, reconhecem-se em imagens de noticiário internacional nas quais levam bombas de gás lacrimogênio e tiros disparados pelo Estado-Capital; pessoas que se encontram às vezes em salas de tortura, hospícios e tribunais onde, mais do que foras da lei, são excluídas da lei. Trata-se de seres constituídos por uma diáspora interna que não os territorializa em tradições folclóricas ou étnicas e que os fazem, mesmo no país onde nasceram, caminhar pelas ruas tendo no bolso apenas o passaporte, um livro que registra a diferença de linguagem espalhada pelo globo. Um abraço,

Spread around the globe, Carlos, outside the statistics and without a country, there is a population that dispenses with the Nation-States, composed of women and men whose condition is that of humanity. They are people who look straight ahead and are thus kept in the horizontality in which they construct social relations with the ethics that spells “I” as d-i-f-f-e-r-e-n-t; people who write “capital” or “god” with small letters and who relativize terms with the prefix anthropo-, individuals of free sexuality whose exercise leads to the naturalness of the orgasm but also to the use of force, to imprisonment, to public contempt, or the condition of third class. They are human beings who, even though they are spread around the planet, each in his or her local context, are recognized in pictures in the international news, in which they are hit by teargas bombs and shots fired by the State-Capital; people who are sometimes found in torture chambers, asylums and courts where, more than being outlaws, they are excluded from the law. They are beings constituted by an internal diaspora that does not territorialize them in folkloric or ethnic traditions, and which makes them, even in the country where they were born, walk through the streets carrying only their passport in their pocket, a book that registers the difference of language spread around the globe. Best regards,

Fabio Morais

Obras do artista