Participantes

Dionisio González

Espanha

(1965, Gijon / Sevilha, Espanha)

As paisagens arquitetônicas construídas por Dionisio González nos levam a um tempo e a espaço futuros, porém carregados de presente. Panoramas cada vez mais atuais em grandes cidades do mundo, onde o artista sugere, a partir de interferências digitais, prováveis transformações visuais em suas edificações. Adaptações estas dadas por elementos característicos de modos de convivência e por necessárias negociações dessa ordem.

Cenários urbanos muito comuns em cidades de países subdesenvolvidos, as favelas se identificam como assentamentos humanos informais e precários, nulos de ordenação em concepção ou composição de existência. Contudo, esses apontamentos, que muitas vezes nos remetem a condições de pobreza e miséria, só fazem afogar o reconhecimento de outros contextos, como a riqueza cultural e a relevância histórica existente nessas comunidades. No Brasil, a favela já é bairro (algumas com dimensões de cidades), seus moradores cidadãos e seus códigos cultura. E é nessa conjuntura que, atualmente, a visão estereotipada da miséria dá lugar à exacerbação do exótico, do diferente, do turismo contemporâneo.

A obra de González logra reunir questionamentos que tangenciam a complexidade espacial e social contida em todas as favelas brasileiras. Ao entremear arquitetura moderna e contemporânea aos barracos e às construções de alvenaria das favelas de ComercialSanto Amaro (2007), Heliópolis I (2006) e Ipiranga II (2006), o artista faz alusão à própria constituição de sociabilidade pertencente nessas habitações. Ou seja, a série fotográfica Favelas é extrato imaginado de uma possível e inelutável civilidade.

Obras do artista