Participantes

Emmanuel Lagarrigue

França

(1972, Estrasburgo, / Paris, França)

Muro: uma palavra tão simples quanto complexa. Muro é segurança, mas também é barricada. Delimita áreas particulares como casas e condomínios, assim como nosso deslocamento físico, cultural, social, político, econômico e até mesmo afetivo. De muro também é composta a instalação de Emmanuel Lagarrigue nesta exposição. São três metros a altura que separa nossos corpos do horizonte, de modo que o céu passa a ser o único ponto de fuga possível, depois que os corpos adentram o espaço e passam a formar uma espécie de comunidade.
Dos megafones, são sussurrados trechos das obras dos filósofos Maurice Blanchot e Jean-Luc Nancy, que tentam definir os conceitos de comunidade. O sussurro clama por atenção; a atenção absorve o sentido da fala; o corpo sente o peso do confinamento. Por um efeito dominó, esta instalação nos conduz à pergunta: até quando sobreviveremos aos muros e refutaremos a noção de comunidade? Vivemos em um momento histórico no qual essas zonas autônomas temporárias se tornaram insignificantes ou mesmo inexistentes, ainda que elas sejam essenciais para o mundo e para as reinvenções dos modos de “viver juntos”.
Esta instalação questiona, portanto, as molduras institucionais com as quais estamos habituados a conviver e insistir, embora saibamos que se trata de sistemas falhos. Quem sabe os muros não sejam a solução para os problemas de segurança, delimitação de território ou conflitos bélicos, mas sim o momento de aprender a ouvir mais, mas mais baixo. Quem sabe seja preciso chegar mais perto e romper a barreira daqueles que falam, mas não se atrevem a tocar.

Wall: a word as simple as it is complex. A wall is security, but it is also a barricade. It delimits private areas such as houses and condominiums, as well as our physical, cultural, social, political, economic and even affective movement. A wall also composes the installation by Emmanuel Lagarrigue in this exhibition. Its three meters of height separate our bodies from the horizon, in such a way that the sky becomes the only possible vanishing point, after our bodies enter the space and begin to form a sort of community.
Passages of works by Maurice Blanchot and Jean-Luc Nancy are murmured from the loudspeakers, trying to define the concepts of community. The murmuring begs for attention; the attention absorbs the meaning of the speech; the body feels the weight of confinement. By a domino effect, this installation brings us to the question: Until when will we outlive the walls and refute the notion of community? We are living at a historical moment when these temporary autonomous zones have become insignificant or even inexistent, even though they are essential for the world and for the reinventions of the ways to “live together.”
This installation therefore questions the institutional framings we are used to living with and insisting on, even though we know that they are failed systems. Who knows but that the walls are not a solution for the problems of security, the delimitation of territory or military conflicts, but rather a moment to understand and listen more, but lower. Who knows but that it may be necessary to come closer and break the barrier of those who speak, but do not dare to touch.

Kamilla Nunes