Participantes

Lenora de Barros

Brasil

Como um fantasma, a voz que escutamos em Utopy sussurra, grita e ecoa fragmentos de duas frases negativas, embaralhando-as no espaço: Não há lugar como a Utopia / Não há Utopia como lugar. Fragmentadas, essas frases se dissolvem nas palavras que compartilham e se friccionam em sobreposições e antagonismos, criando brechas de sentido a partir de outras ligações possíveis. Assim, esta voz que se espalha pelo espaço parece anunciar um outro lugar nas brechas do que não está a dizer. Como a terceira margem de um rio, esse outro lugar nos dá a graça de um vislumbre e desaparece na impossibilidade de atracarmos nele, porém nos deixa admirar um cais que logo se desfaz no nevoeiro. Alguém brada There! (Lá!) por trás de nossa cabeça. Olhamos imediatamente para uma direção qualquer, em busca do que foi apontado e vemos a paisagem à nossa volta. Imediatamente, escutamos a negação do que não está lá — esse lugar se mostra a nós como construção e destruição simultânea, fugaz, aparece e some com a mesma fantasmagoria das vozes que o anunciam. 

Obras do artista