Participantes

Malu Saddi

Brasil

(1976, São Paulo, Brasil)

O processo aparentemente ordinário de desacomodar formas estanques e parafernálias vinculadas a normas da representação permeia o conjunto de obras que Malu Saddi apresenta em Frestas – Trienal de Artes. Tenho o privilégio de não saber quase tudo. E isso explica o resto (2014), composta por uma mesa com um orifício ao centro, no qual um cone é instalado, sugere erro de fábrica e desvincula esse objeto de sua função ritualística, centrada no coletivo. De fato, um peixe dependurado ao centro da mesa e as frases de Manoel de Barros, de que a artista se serve para intitular o objeto, fazem com que ela escape à serventia cotidiana do sujeito. Juntamente com os desenhos e objetos da exposição, aludem ao “não saber” e percebem-no como um mote para pensar a organização das coisas inexistentes e os ditames da vida que limitam a espontaneidade. Isso porque, enquanto processam a figuração da morte, situações desestabilizadoras, lugares que constroem equilíbrio, acidente e vertigem simultaneamente, este conjunto de obras transpõe a mudez evocada por Gilles Deleuze em Diferença e repetição, para pensar a “pulsão de morte” como aquilo que interrompe de maneira indescritível determinado fluxo de gozo. Com essa mudez a artista procura tornar visível pelo encontro fortuito de geometrias imperfeitas músicas sinfônicas inaudíveis produzidas com um único fio e pela via da imprecisão, sobretudo a que procura evocar O segundo evento de qualquer série.

Obras do artista