Participantes

Neha Choksi

EUA

(1973, EUA / Bombaim, Índia)

Há uma coreografia imprevisível em The wheater inside me, projeto realizado pela artista Neha Choksi em Bombaim, com diferentes cenas do sol se pondo. Dividida em oito televisores obsoletos, situados um ao lado do outro, e um único em confronto com esse conjunto no lado oposto da sala, a instalação produz uma linha do horizonte quebrada pelo movimento do nascer e do pôr do sol. Cada cena levanta reflexões sobre o fato de uma personagem, com a sua singularidade característica, trazer à tona a diferença e a imprevisibilidade do espaço, anunciando muito do que se entende por inexistência: a indefinição da paisagem diante da passagem do tempo, o qual pulsa em uma espécie de dança enquanto se vale da luz e da escuridão que a presença e a ausência desenham no espaço. A instalação também recebe uma foto com uma carga pictórica de grande contundência, já que a sua luminosidade barroca constituída por um sol ao centro da imagem é atenuada por uma parte dela em chamas. Por isso, a imagem presente na instalação é imagem da imagem. Nela, uma mão segura a imagem em questão para que, então, outra seja produzida, de modo que ela seja percebida como aquilo que estanca o desaparecimento decorrente da presença do fogo sobre a superfície em que foi impressa. Isso sem excluir, contudo, a ideia segundo a qual a presença irrestrita de calor acaba por ser o prenúncio da condição insustentável de vida. Essa alta temperatura é também referenciada ao indivíduo, já que o título evoca uma estrita relação entre sujeito e imagem. De fato, em vários projetos de Neha Choksi o sujeito não histórico é percebido como aquele que não pode ser queimado ou dissolvido, embora conviva com os excessos decorrentes do desequilíbrio regente na vida contemporânea.

There is an unpredictable choreography in The Weather Inside Me, a project carried out by artist Neha Choksi in Bombay, with different scenes of sunsets. Divided onto a group of eight obsolete televisions, arranged in a row, and a single television on the other side of the room, the installation produces a horizon line broken by the movement of the rising and setting sun. Each scene raises reflections on how a character, with a characteristic singularity, sheds light on the difference and unpredictability of the space, announcing much of what is understood by inexistence: the indefinition of the landscape before the passage of time, which pulsates in a sort of dance while resorting to the darkness designed in the space by both presence and absence. The installation also features a photo with a very striking pictorial charge, since its baroque luminosity constituted by a sun at the center of the image is attenuated by a part of it that is in flames. The image present in the installation is therefore an image of the image. In it, a hand holds the image in question so that another one can then be produced. It is thus perceived as that which stops the disappearance due to the presence of the fire on the surface it was printed on. Without excluding, however, the idea according to which the unrestricted presence of heat winds up being the harbinger of the unsustainable condition of life. This high temperature is also linked to the individual, since the title evokes a close relationship between subject and image. In various projects by Neha Choksi the nonhistorical subject is perceived as that which cannot be burned or dissolved, although it lives with the excesses arising from the unbalance that prevails in contemporary life. 


Josué Mattos

Obras do artista