Participantes

Regina Parra

Brasil

Em suas obras, Regina Parra traça um paralelo entre viver em uma metrópole e não pertencer aos mecanismos socioeconômicos impostos pelo ritmo das grandes cidades. No vídeo 7.536 passos (por uma geografia da proximidade), a artista nos convoca a pensar em possíveis subversões para os limites e as fronteiras — físicas, econômicas, políticas e culturais — existentes entre as regiões centrais e os bairros periféricos da cidade de São Paulo. Enquanto caminha do marco zero em direção ao Brás — guiada por sons emitidos por um rádio à pilha, sintonizado em uma emissora de rádio pirata criada pela comunidade boliviana —, a artista conduz o espectador do centro à margem, apresentando esta transição por meio da modificação dos estilos arquitetônicos, dos tipos de estabelecimentos comerciais, das etnias observadas nos rostos — que ora encaram a câmera, ora a artista — e, por fim, dos idiomas, alternados entre português, espanhol, quéchua e aimará, que emanam do rádio que acompanha Regina Parra durante sua trajetória.

Já nas pinturas da série Hino (É possível mas não agora), a artista dialoga com a vulnerabilidade em relação aos mecanismos de exclusão e ao apagamento que as cidades criam. Retratando os moradores do Edifício Marconi — uma ocupação no centro de São Paulo —, Regina expõe a situação limite desses indivíduos por intermédio de seus desejos íntimos que, muitas vezes, são a força motriz para a sobrevivência de cada um.

 

In her works, Regina Parra traces a parallel between living in a metropolis and not belonging to the socioeconomic mechanisms imposed by the rhythm of the big cities. In the video 7.536 passos (por uma geografia da proximidade) [7.536 steps (through a geography of proximity)] the artist invites us to think about possible subversions for the physical, economic, political and cultural limits and borders that exist between the central areas and the outlying districts of the city of São Paulo. While she walks from the city’s downtown toward the outlying Brás District – guided by sounds emitted by a battery-powered radio, tuned to a pirate radio station created by the Bolivian immigrant community – the artist leads the viewer from the center to the fringe, presenting this transition by way of the modification of the architectural styles, the sorts of commercial establishments, the ethnicities observed on faces – which sometimes gaze at the camera, sometimes at the artist – and, last but not least, the languages spoken, which alternate between Portuguese and mixes of Spanish with Quechua and Aimará, which emanate from the radio that accompanies Regina Parra along her path.

For their part, the paintings of the series Hino (É possível mas não agora) [Anthem (It is possible but not now)], the artist dialogues with vulnerability in regard to the mechanisms of exclusion and erasure that the cities create. Portraying the residents of the Marconi Building – occupied by squatters in downtown South Paulo – Regina sheds light on the borderline situation of these individuals by way of their intimate desires, which are often the driving force for each of the residents’ survival.