Participantes

Véio

Brasil

(1948, Nossa Senhora da Glória, Brasil)

“Eu nasci assim, inspirado pelas coisas antigas, pelas coisas do universo”. Cícero Alves dos Santos, nascido em 1947, no estado de Sergipe, onde ainda vive e trabalha, é chamado Véio desde menino por se interessar pelas histórias dos mais velhos, as lendas, os mistérios, as cantigas, tudo aquilo que a natureza esconde e o homem necessita transformar em lenda ou em charada. Charada seria a palavra adequada. Voa, mas não tem penas? Morde mas não tem dentes? O que é? Adivinha!
Os “bichos” de Véio são seres mágicos e singulares que vêm da “paisagem conflituosa e dolorosa do sertão” (Paulo Monteiro), das grandes propriedades agrícolas, da pecuária intensa e dos períodos de seca. É daqui que Véio extrai um dos bestiários mais singulares da arte brasileira contemporânea (ao lado de José Bezerra e de Fernando da Ilha do Ferro), na medida em que reúne qualidades significantes que à partida não conviveriam entre si. Tal como os poetas, Véio consegue presentear-nos (e nós agradecemos por isso) com objetos que condensam elementos impossíveis de coabitar. São figuras que vivem a sua identidade num espaço mágico de imperfeição, totalmente anticlássico, mas nem por isso naïf.
Um dado importante sobre o trabalho de Véio é o uso da madeira nativa (imburana, barriguda, cedro) que o artista cultiva na floresta que resta do desmatamento constante da região.  

“I was born like that, inspired by old things, by the things of the universe.” Cícero Alves dos Santos, born in 1947, in the state of Sergipe, where he still lives and works, has been called Véio [Oldster] since he was a boy for being interested in stories of older people, the legends, the mysteries, the songs, everything that nature hides and man needs to transform into a legend or a riddle. Riddle is the right word. What flies but has no feathers? Bites but has no teeth? What is it? Guess!
Véio’s “critters” are magical and peculiar beings that come from “the conflictive and painful landscape of the arid backlands” (Paulo Monteiro), from the large agricultural landholdings, from the intense livestock farming, and from the periods of drought. It is from there that Véio extracts one of the most peculiar bestiaries of Brazilian contemporary art (alongside José Bezerra and Fernando da Ilha do Ferro), insofar as he brings together significant qualities which at the outset do not go well together. Like the poets, Véio manages to present us (and we thank him for this) with objects that condense elements that are not able to live together in the same space. They are figures that live their identity in a magical, totally anti-classical space of imperfection, that is nonetheless not naif.
An important quality of Véio’s work is the use of native wood (imburana, barriguda, and cedar) that the artist cultivates in the forest that is still left after the region’s constant deforestation.

Marta Mestre

Obras do artista